Uma sociedade sem rumo, quais as razões!!!

Vivemos num mundo de aparências, infelizmente uma das características que melhor definem a sociedade moderna, este mundo virtual em que tudo ou quase tudo está ocultado por uma fachada que no final não passa disso mesmo, apenas fachada! Temos hoje uma sociedade vaga de conteúdos, nivelada por baixo, decadente e desumanizada, qual o caminho que seguimos, que futuro para a humanidade? Deixo aqui uns pequenos trechos de alguns autores com os quais me identifico, creio serem bem explícitos sobre aquilo em que nos tornámos ou estamos a tornar, espero que gostem.

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Não se trata de o homem-massa ser estúpido. Pelo contrário, o actual é mais esperto, tem mais capacidade intelectiva que o de qualquer outra época. Mas essa capacidade não lhe serve de nada; com rigor, a vaga sensação de possuí-la serve-lhe só para encerrar-se mais em si mesmo e não usá-la. Consagra de uma vez para sempre o sortido de tópicos, preconceitos, ideias feitas ou, simplesmente, vocábulos ocos que o acaso amontoou no seu interior e, com uma audácia que só se explica pela ingenuidade, imporá onde quer que seja. É isto que no primeiro capítulo eu enunciava como característico da nossa época: não que o vulgar julgue que é excelente e não vulgar, mas que o vulgar proclame e imponha o direito da vulgaridade, ou a vulgaridade como direito.

Ortega y Gasset

Resultado de imagem para democracia é uma farsa

Os incompetentes são sempre o maior número. E é esse maior número de incompetentes que tem de eleger, de descobrir as competências. Como há-de fazê-lo?
Para se adquirir uma competência determinada, foi preciso seguir um curso, realizar certos estudos, trabalhar durante longos anos. E quando se chega ao fim, aparece o voto anónimo e leviano dos incompetentes — e é esse que decide!
Com a sua vibrante lucidez, o sindicalista Georges Sorel definiu assim a Democracia, a ditadura da incapacidade.
Aceitemos a definição, e poderemos, alterando ligeiramente os termos, dizer: logo, a Democracia, suspensa dos juízos, sem preparação nem autoridade, do maior número — é o reino da Incompetência.

João Ameal 

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Temos o conforto, o saber, a opulência. Mas as nossas cidades não são mais cidades e as nossas antigas pátrias já não são o que eram. A excitação dos caprichos mais loucos fazem implodir a nossa civilidade. O dinheiro tornou-se o padrão exclusivo de todos os valores. Sob as aparências da democracia, não somos livres.As causas remontam há muito. Mas a História nunca é imóvel. Chegou o momento para os franceses e os europeus despertarem e libertarem-se. Como? Com certeza não é refazendo o que nos conduziu até onde nos encontramos. Não tendo uma religião à qual nos amarrar, temos desde Homero uma rica memória oculta, depósito de todos os valores sobre os quais refundar o nosso futuro renascimento. Diante do vazio sob os nossos pés, a voracidade demente do sistema financeiro, as ameaças de um conflito de civilização no nosso solo, este ‘Breviário’ propõe despertar a nossa memória e dar pistas novas para pensar, viver e agir de forma diferente, permitir a cada um reconstruir-se na fidelidade a modelos superiores.

Dominique Venner

Resultado de imagem para sociedade apáticaO espectáculo é a ideologia por excelência, porque expõe e manifesta na sua plenitude a essência de qualquer sistema ideológico: o empobrecimento, a submissão e a negação da vida real. O espectáculo é, materialmente, «a expressão da separação e do afastamento entre o homem e o homem». O «novo poderio do embuste» que se concentrou aí tem a sua base nesta produção pela qual «com a massa dos objectos cresce… o novo domínio dos seres estranhos aos quais o homem está submetido». É o estádio supremo duma expansão que virou a necessidade contra a vida.

Guy Debord

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O homem furta à Natureza o privilégio de criar. O próprio «livre-arbítrio» é uma aberta atitude de rebelião. O homem, como criador, tem ultrapassado os limites da Natureza, cada uma das suas criações mais se distancia e se apresenta hostil para a Natureza. Assim se compõe a sua «História Universal», narrativa de uma cisão fatal, que progressivamente se vai acentuando, entre o Homem e o Universo, narrativa da acção de um rebelde que, liberto dos elos maternais, chega a levantar a mão contra a sua própria Mãe.
Eis como se inicia a tragédia humana, uma vez que a Natureza é indubitavelmente a mais forte. O homem não cessa de estar dependente dela, porque a Natureza, a despeito de todos os esforços do homem continua a tudo englobar no seu seio. Todas as culturas superiores são derrotas. Há raças inteiras que subsistem, totalmente enfraquecidas e aniquiladas, sujeitas à perda do poder espiritual, à esterilidade, semelhantes a cadáveres juncando o campo de batalha. A luta contra a Natureza é uma luta sem esperança; apesar disso, o homem irá prosseguir nela até ao fim.

Oswald Spengler

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Grande parte da juventude actual parece não acreditar no futuro. Uma desconfiança excessiva leva muitos jovens a separar-se de tudo, a não acreditar em nada. Mas a sua desconfiança quanto ao futuro é uma consequência da sua desconfiança nas velhas gerações que não souberam organizar um mundo melhor. Numerosos jovens nem se dignam pensar se esta organização perfeita é possível. As próprias gerações que os precederam também não pensaram nesta problema.
A juventude é exigente. É uma virtude. Não solicita fórmulas teóricas, mas exige realizações quotidianas. As relações familiares, o entendimento entre os pais e os filhos são difíceis por causa desta flagrante diferença de linguagem.
Uma juventude que desconfia do futuro, que tudo pretende alcançar no tempo presente, será uma juventude sã? A juventude actual está preocupada pelo vazio e pelo absurdo da vida. Mas como poderemos falar de vazio no caso de jovens tão dados à acção, dispostos a ocupar os seus tempos livres e a gozar os prazeres imediatos da vida? Talvez por isso mesmo. Esta necessidade de imediato, esta incapacidade de esperar, provém de um sentimento de angústia. Afinal, a juventude actual carece sobretudo de esperança.
Esta falta de esperança reduz a juventude ao tempo presente. E o presente da juventude actual não está vinculado ao passado nem ao futuro. É tempo presente que tem, forçosamente, de ser vivido com ansiedade e com a ambição de esgotar no momento em que se vive todas as possibilidades vitais. Nesse tempo presente, que se vive rapidamente, tão rapidamente que a própria pressa se transforma em objectivo essencial, o conteúdo da acção perde a sua natureza.
A renúncia perante o futuro é a renúncia da continuidade. Não há nenhum jogo mais perigoso. A pressa é a evasão. Qual é a falha desta estrutura existencial? Falha a vida como continuidade. Falha por não a viver em todo o momento na sua dimensão profunda. Os momentos da vida são mais ou menos incorporados neles, marcas do passado mas também possibilidades do futuro. O passado é a própria história, é a responsabilidade do que somos, é a expressão da vida, é a nossa própria individualidade. No presente podemo-nos identificar mais ou menos com as circunstâncias ou com os outros. O futuro é a continuidade pessoal e histórica.
Pertence ao estilo das actuais gerações viver com pressa e sem profundidade. Renunciar às responsabilidades do passado e desconfiar do futuro, concentrando a vida no presente, dinamicamente vivido, ou seja, na acção. Esta atitude, provocando o desaparecimento do sentido profundo da vida, dá origem a um deserto de tédio.
Entre o aborrecimento e a pressa existem relações importantes. O facto de não saber o que fazer é muito perigoso. Talvez seja o maior perigo mostrar a sombra da vida, a sua orientação absurda. Deste perigo defende-se a juventude pela sua radical afirmação. A vida é vida porque se afirma perante a morte.”

Luís Fernandes

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Se as grandes massas fossem tão transparentes, tão bem articuladas nos seus átomos, como o declara a Propaganda, precisar-se-ia tanto de Polícia como um pastor de cães para conduzir o seu rebanho. Não é este o caso, porque há lobos, que se ocultam nos rebanhos cinzentos, quer dizer: naturezas que ainda sabem o que é a liberdade. E estes lobos não são apenas vigorosos em si mesmos, como também pode dar-se o perigo de as suas virtudes, numa bela manhã, se comunicarem às massas, transformando-se então o rebanho em matilha. Isto é o pesadelo dos detentores do poder.                                                                                                              O espectáculo de grandes multidões agitadas pela paixão é um dos sinais mais importantes de que entrámos numa nova época. Num círculo mágico destes, se não reina a unanimidade, é certo pelo menos que reina o acordo das vozes, pois no caso de uma voz diferente se elevar, formar-se-iam turbilhões que aniquilariam o seu titular. Por conseguinte, o indivíduo que se quer fazer notado desta maneira, pode igualmente decidir-se pelo atentado: nas consequências acaba por dar no mesmo.»

Ernst Jünger

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A conclusão que se deduz nitidamente de tudo isto, é que a uniformidade, para ser possível, suporia seres desprovidos de todas as qualidades e reduzidos a simples «unidades» numéricas; é por isso que uma tal uniformidade nunca é realizável de facto, e todos os esforços feitos para a realizar, nomeadamente no domínio do humano, só podem ter como consequência o desprover mais ou menos completamente os seres das suas qualidades próprias, e desse modo, fazer deles qualquer coisa parecida com simples máquinas, porque a máquina, produto típico do mundo moderno, é bem aquilo que representa, ao mais alto grau jamais atingido, a predominância da quantidade sobre a qualidade. É para isso que tendem, do ponto de vista social, as concepções «democráticas» e «igualitárias», para as quais todos os indivíduos são equivalentes entre si, o que leva à suposição absurda de que todos devem estar igualmente aptos para tudo; esta «igualdade» é algo de que a natureza não oferece nenhum exemplo, pelas razões que acabámos de indicar, já que se assim fosse, ela não seria mais do que uma completa semelhança entre os indivíduos; mas é evidente que, em nome desta pretensa «igualdade», um dos «ideais» ao invés mais caros ao mundo moderno, fazem os indivíduos o mais semelhantes que a natureza permite, e para isso, primeiro que tudo, pretendendo impor a todos uma educação uniforme. É claro que, como não se pode suprimir inteiramente a diferença das aptidões, essa educação não dá em todos os mesmos resultados; mas também é verdade que, se é incapaz de dar a certos indivíduos as qualidades que eles não têm, pelo contrário, é capaz de abafar noutros todas as possibilidades que ultrapassam o nível comum; é assim que o «nivelamento» se faz sempre por baixo.

René Guénon

 

 

 

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