O FIM HISTÓRICO DE PORTUGAL

O FIM HISTÓRICO DE PORTUGAL

Foto de Alexandre Sarmento.

E ficam impunes porquê?
Uma cambada de criminosos tornados heróis nacionais, só mesmo numa não nação!!!

Os apoiantes do 25 de Abril não provocaram só a derrocada material de Portugal, mas também a frustração histórica quer da juventude quer dos mais velhos – que, quando novos, tantas vezes, com vivo entusiasmo, cantaram o Hino Nacional («Heróis do Mar, Nobre Povo, Nação Valente e Imortal») e gritaram «Viva a Pátria».

Ora Portugal tinha dois milhões e trezentos mil quilómetros quadrados, e passou a ter só 92 000 Km2 – só 4 por cento!

Agora, como é ainda possível em Portugal, com um mínimo de entusiasmo e sinceridade, e sem revolta, cantar o Hino Nacional e dizer «Viva a Pátria»? Mataram-na em 96 por cento!

É que o 25 de Abril provocou também O Fim Histórico de Portugal – conforme título do recente livro de ataque ao 25 de Abril pelo entretanto falecido professor universitário, democrata patriótico e ex-oposicionista ao antigo regime, Doutor Amorim de Carvalho.

Igual livro teria agora escrito o general Norton de Matos; leia-se a sua obra Nação Una, com prefácio do Prof. Egas Moniz, Prémio Nobel, e com um discurso sobre esse livro do Prof. Barbosa de Magalhães. Eram patriotas, e portanto intransigentes defensores do Ultramar.

Diz-se naquele livro do Doutor Amorim de Carvalho, na pág. 58:

«Os governos de Salazar e de Marcello Caetano, defendendo os territórios portugueses de África, não fizeram, reconheçamo-lo (e quaisquer que sejam as nossas opiniões sobre esses dois homens políticos), senão continuar uma legítima missão, com a qual se identificava como uma nação tendo uma finalidade cultural, civilizadora e humana na história. Esta identificação explica a natureza específica da colonização portuguesa que parece ter sido a única que reproduziu, mutatis mutandis, a admirável colonização romana donde saíram as nações europeias, incluindo as nações que não falam uma língua latina».

A pág. 9, o Doutor Amorim de Carvalho escreveu:

«A minha pátria, que tinha uma existência histórica, feita e mantida pela vontade apenas dos seus heróis e dos seus grandes homens, foi destruída ao fim de quase mil anos, pela vontade dos seus pequenos homens, um bando de traidores – os militares de um exército podre que se recusaram a defendê-la e fizeram o jogo dos seus inimigos».

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E, a encerrar este capítulo:

«Reduzindo abruptamente Portugal a um pequeno território da Península Ibérica, arrancando-lhe o mundo geográfico da sua missão cultural e civilizadora, os militares traidores provocaram o traumatismo nacional da sua demissão “histórica”, o fim da sua existência “histórica”, em duas palavras, “O Fim Histórico de Portugal”. Vários partidos políticos portugueses associaram-se plenamente a esta traição: o partido comunista e o partido socialista. Eles devem ser devidamente estigmatizados. Outros partidos, praticamente calaram-se perante esta traição; devem ser também devidamente chamados ao julgamento da História».

CADEIA OU MURO DA VERGONHA?

Por mim, acho que os responsáveis talvez não mereçam ser julgados e metidos na cadeia, porque isso lhes poderia dar a sensação de assim ter ficado reparado o seu crime de mutilação de 96 por cento da Pátria.

Será preferível a construção do muro da vergonha, a tapar os quatro grandes monumentos que na zona de Belém continuam a dar testemunho dos feitos heróicos dos Portugueses. Um muro a passar por fora do Mosteiro dos Jerónimos, da Torre de Belém, do Padrão dos Descobrimentos e da estátua de Afonso de Albuquerque.

Pelo lado de fora desse muro ficariam medalhões com as caras dos responsáveis pela entrega do Ultramar, à altura de uma cuspidela de repulsa de quem fosse visitar o local. E o muro deveria ter uma torre para do seu alto se verem aqueles quatro monumentos da antiga grandeza de Portugal.

Creio que esse Muro da Vergonha iria ter muito mais interesse turístico do que o Muro de Berlim, pois que muito mais espantoso é o crime que representa contra a Pátria – e até contra a Democracia, pois que os mesmos responsáveis fomentaram a criação de ditaduras sob o colonialismo russo.

Àqueles que os desculpam dizendo que só devem ficar sujeitos «ao futuro julgamento da História», é de objectar, por exemplo, que no final da II Guerra Mundial as vencedoras democracias não pensaram assim: trataram logo de julgar e condenar os alemães que consideraram responsáveis.

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No nosso caso trata-se sobretudo de os milhões de vítimas do Ultramar e da Metrópole responsabilizarem os autores do mais vergonhoso e nefasto acontecimento de oito séculos da história de Portugal.

E isto é inadiável: ou cadeia, ou muro da vergonha com a cara deles!

(ob cit., pp. 61-95; 103-105; 110-111).

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