A religião Lusitana-Teixeira de Pascoaes…

 

Entre a Poesia e a Religião há estreitos laços de parentesco. O verdadeiro sentimento poético é sempre religioso, porque transcende a realidade sem a desnaturar.

Deus é o Homem infinito. E o poeta fala, entre os homens, a linguagem de Deus, para que eles se reconheçam na sua própria natureza etérea e progridam moralmente. O poeta auxiliando a alma popular no seu doloroso e obscuro trabalho revelador, mostra-lhe o rumo divino que ela deve seguir, acende-lhe, no coração, todos os sentimentos que nimbam de eterna claridade a pobre sombra humana.

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Quem fez comunicar os homens com Deus foi o poeta. E os homens, desde então, conceberam, além da sua existência animal, uma outra, mais bela, esse longínquo centro de gravidade para que devem tender as suas mais altas aspirações.
O homem religioso viverá com alegria, porque viverá integralmente a sua vida, não a partilhando com a morte. A alegria de viver é viver a vida em absoluto. O que nos entristece e anoitece, é a vida que deixamos de viver; e, ofendida, nos magoa… O que, sobre o nosso esqueleto, substitui a sombra pela carne, é a capacidade de sonho transcendente que nos eleva a Deus, à Família e à Pátria, e nos obriga a cumprir alegremente a lei do sacrifício.A essência original e livre da alma pátria, deu originalidade e independência às nossas Letras, à nossa Arte, à nossa Política e também à nossa Religião.

É certo que a primitiva Igreja Lusitana viveu, durante muitos séculos, separada de Roma, e foi só por interesses políticos que Afonso Henriques a submeteu à Cúria.

Esta Igreja pertence à nossa tradição é é uma das provas mais eloquentes do espírito de liberdade que caracterizou a nossa Raça.


Resultado de imagem para celtas portugalDa sua reconstituição depende também o pátrio renascimento, concorrendo tal facto para a cultura religiosa do Povo que se tem abastardado, num grosseiro cepticismo destruidor daqueles nobres sentimentos que criam, no ser individual e animal, o ser espiritual: o Pai, o Patriota e o Homem.
É preciso que o Povo encontre o culto religioso dos seus Avós – daquela Alma primitiva que, dentre a confusão das raças da Ibéria, ergueu bem alto a sua presença livre e inconfundível – primeiro na figura homérica de Viriato e depois em Afonso Henriques, esse rude estatuário de uma Pátria que as últimas gerações têm mutilado.Teixeira de Pascoaes

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Alexandre Sarmento Written by:

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