Revolução Russa, ou melhor, revolução do terror!!!

A acreditar em Máximo Gorki, escritor, testemunha e intérprete da miséria russa anterior a 1917, esta violência emanava da própria sociedade. Em 1922, ao mesmo tempo que reprova os métodos bolcheviques, redigiu um longo texto premonitório:

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“A crueldade – eis o que toda a minha vida me espantou e atormentou. Onde se encontra a origem da crueldade humana? Reflecti muito a este respeito e não compreendi, nem nunca hei-de compreender. […] Hoje, depois da terrível demência da guerra na Europa e dos acontecimentos sangrentos da revolução, […] devo salientar que a crueldade russa não parece ter diminuído; dir-se-ia que as suas formas não se alteram. Um analista do princípio do século XVII conta que no seu tempo se praticavam estas torturas: ‘A uns, enchiam-lhes a boca de pólvora e deitavam-lhe fogo; a outros, introduziam-lhes a pólvora por baixo. Furavam os seios das mulheres e, passando cordas através das feridas, penduravam-nas’. Em 1918 e 1919, fazia-se o mesmo no Don e no Ural: introduziam no ânus de um homem um cartucho de dinamite e faziam-no explodir. Julgo ser exclusivo do povo russo – como o sentido de humor o é dos ingleses – o sentido de uma crueldade especial, uma crueldade de sangue-frio, como que desejosa de experimentar os limites da resistência humana ao sofrimento e de estudar a persistência e a estabilidade da vida. Sente-se na crueldade russa um refinamento diabólico; há nela qualquer coisa de subtil, de requintado. Não é possível explicar esta particularidade usando palavras como psicose ou sadismo, palavras que, no fundo, nada explicam. […] Se estes actos de crueldade fossem apenas a expressão da psicologia pervertida dos indivíduos, poderíamos nem sequer falar dela: seria da alçada do psiquiatra e não do moralista. Mas aqui refiro-me apenas ao divertimento colectivo pelo sofrimento. […] Quais são os mais cruéis? Os Brancos ou os Vermelhos? Provavelmente, tanto uns como os outros, porque todos são russos. De resto, nesta questão de grau de crueldade, a história responde claramente: o mais activo, é o mais cruel”.

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[…] A Guerra Mundial e a tradicional violência russa permitem, é certo, compreender melhor o contexto no qual os bolcheviques chegaram ao poder; não explicam, no entanto, o caminho extremamente brutal que adoptaram logo de início e que contrastava singularmente com a revolução iniciada a 17 de Fevereiro, a qual tinha nos seus começos um carácter largamente pacífico e democrático. O homem que impôs esta violência, assim como impôs ao seu Partido a tomada do poder, foi Lenine.

Lenine instaurou uma ditadura que depressa se revelou terrorista e sanguinária. A violência revolucionária deixou então de aparecer como uma violência reactiva, reflexo de defesa contra as forças czaristas desaparecidas havia meses, mas como uma violência activa, que despertou o velho hábito russo da brutalidade e da crueldade e atiçou a violência latente da revolução social. Embora o Terror Vermelho só tenha sido “oficialmente”inaugurado a 2 de Setembro de 1918, existiu um “terror antes do terror”; e a partir de Novembro de 1917, Lenine dedicou-se a organizar o terror, e isto na ausência total de qualquer manifestação de oposição por parte dos outros partidos ou das diferentes componentes da sociedade. No dia 4 de Janeiro, dissolveu a Constituição, eleita por sufrágio universal – pela primeira vez na história da Rússia -, e mandou disparar sobre os seus defensores que protestavam na rua.

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Alexandre Sarmento Written by:

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