Meio Século…

Ao chegar a esta meta, meio século de vida, dou comigo a pensar que a vida afinal não é tão linear como pensava, gostos, sentimentos, afectos, ideais, paixões, vaidades e formas de encarar as situações do dia a dia não são dados adquiridos, vão mudando, vão sendo olhados de formas diferentes à medida que vamos crescendo, vamos tomando atitudes, mais radicais, ou mais permissivas de acordo com a nossa consciência.

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Consciência, realmente aquilo que vai mudando com a idade, com a experiência, com as nossas vivências, em suma com tudo aquilo que nos vai sucedendo ou nos vai envolvendo ao longo da nossa vida, na verdade a experiência é aquilo que nos modela, aquilo que nos define e a vida fez-se para se viver, experiências boas, ou mesmo más, algumas terríveis, como a perda de algum ente que nos é querido, ou mesmo aquelas em que muitas vezes nem sabemos bem como reagir, experiências mais condizentes com a nossa condição humana, o nascimento de um filho por exemplo, ver esse filho crescer, moldá-lo tantas vezes à nossa imagem, tentar pelo menos fazer dele um bom ser humano, um ser humano completo, um ser humano capaz de raciocinar, capaz de ver e sentir o que o rodeia, capaz de formular uma opinião crítica, uma atitude crítica em relação à sociedade em que estamos inseridos, capaz de tomar e formular uma opinião própria, em suma um verdadeiro cidadão do mundo, um verdadeiro ser humano válido com sentimentos, capaz de aceitar sem hesitação o seu lugar nesta sociedade tantas vezes desprovida de sentimentos e de regras de boa convivência, deixando de parte tantas, ou na maior parte das vezes os mais desprotegidos, os menos capacitados para reagir a tudo aquilo que nos rodeia neste mundo cão, um mundo em que os valores se inverteram, um mundo em que tudo aquilo que nos definia como verdadeiros seres humanos se desvaneceu, um mundo de apatia em relação a tantos assuntos, em especial a desgraça humana, as atrocidades promovidas pelo sistema, sejam elas a guerra, o domínio e tudo aquilo que daí advém, morte, subdesenvolvimento, fome e miséria humana, somos o quê afinal seres humanos ou máquinas sem sentimentos, sem compaixão, sem amor próprio ou mesmo insensíveis à miséria que nos rodeia, teremos sido formatados para resistir ou renegar aquilo para que fomos criados ou no limite deveríamos ter evoluído.

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Como foi possível atingirmos tal grau de absentismo em relação às nossa obrigações morais e materiais, para quê tantos pensadores, para quê tantas ideologias se no fim o que se vê é apenas um verdadeiro caos, um inferno na terra, até o nosso planeta, a nossa casa tem sido constantemente abalada por situações perfeitamente evitáveis, calamidades, verdadeiras atrocidades, atentados à ecologia, falta de respeito em relação às outras espécies que connosco partilham este espaço, seremos nós capazes de sobreviver num planeta em que só exista uma raça, creio que não, digo mesmo ser impossível tal situação, urge mudar mentalidades, talvez ainda estejamos a tempo de salvar o planeta, a biodiversidade, em suma de nos salvarmos a nós próprios, para quando nos tornarmos seres humanos de verdade, seres não apenas materiais mas em que a nossa essência o nosso espírito supere a esfera do material, seres capazes de por de lado um pouco do bem estar material em benefício do espiritual, por de lado as políticas hostis ao livre pensamento, as ideologias desumanizadoras, as ideologias que estiveram em voga no século XX, os totalitarismos encapotados de ideologias libertadoras que no fundo a única libertação que promoveram, foi mesmo libertarmo-nos de tudo aquilo que nos trouxe até aos dias de hoje, ou seja a boa convivência entre os vários povos do mundo, induzindo mesmo estas ideologias um grave retrocesso civilizacional, tanto em termos materiais como culturais, basta olhar para o caso de África, a vergonha da humanidade, um continente com riquezas imensas no qual por interesses das grandes potências se condenaram à morte muitos milhões de seres humanos, e qual o móbil do crime?, matérias primas e domínio territorial, uma aberração, um embuste em que se jogou com a semântica dos movimentos de libertação para desta forma se dominar e pilhar um continente, não afirmando que estivesse todo a ser desenvolvida da mesma forma, fico-me pela colonização portuguesa, o exemplo maior de como se pode criar uma perfeita simbiose entre povos, crescendo juntos, com benefícios mútuos mas em que no fundo sempre houve respeito pela cultura dos autóctones, chegando mesmo ao ponto de durante séculos nos termos mestiçado com esses mesmos povos tratando-os como iguais, essa é a verdade incontestável, inabalável, houve erros, certamente que houve, mas no computo geral tivemos uma atitude como povo globalizador notável, de inegável valor a nível cultural e sobretudo no sentido das relações interreligiosas havendo um mútuo respeito institucional, tivemos sempre a preocupação de sobrepor o espiritual ao material, esse é o verdadeiro motivo por que tivemos tão vasto império e tão respeitados fomos no passado a nível global.

 

 

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Terá sido a inveja pela forma como interagimos com os povos autóctones por nós colonizados que tudo foi feito para que todo o trabalho de desenvolvimento que durou cerca de cinco séculos se esfumasse em poucos anos levando esses territórios até uma situação limite de subdesenvolvimento onde a fome, a doença e a miséria imperam, pena tenho que muitos ainda hoje neguem tal realidade, será por fanatismo ideológico, ou será mesmo por incapacidade mental par assumir que as ideologias das quais partilham não passa de meros embustes, embustes esses completamente assumidos como verdade na mente desses pobres imbecilizados pelo sistema.

Em suma é fácil constatar que grande parte da humanidade hoje sofre de grandes problemas em assumir a sua quota parte de culpa no passado recente do planeta, serão esses seres ditos humanos reais merecedores dessa designação, não creio, o ser humano é na sua essência um ser gregário com capacidade de pensar, mas neste caso, pensamento é coisa que não consigo notar, será que sofremos de uma acefalia geral?

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Desculpem o desabafo, mas está na altura de fazer a inversão, vamos fazer uma introspecção, penso ser este o momento para tal, ou é agora ou nunca, está na hora,vamos a isso, está na hora de mostrar que ainda somos humanos, seres reais, seres com corpo e com uma alma verdadeira…

Vamos humanizar esta humanidade desumanizada…

Alexandre Sarmento

 

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Alexandre Sarmento Written by:

2 Comments

  1. Ana Cláudia
    Fevereiro 25, 2017
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    Gostei muito do texto. A matéria está bem apresentada, gosto do raciocínio crescente que parte da vida, do ser íntimo e da capacidade de dar continuidade à vida, até às questões actuais que se prendem com a actualidade mas também as nossas preocupações com o futuro da humanidade e do planeta. São questões pertinentes e vale a pena salientar que as nossas decisões vão ecoar no futuro próximo, para a nossa próxima geração e para as que se seguem. É este o legado que queremos deixar? O que podemos fazer hoje e que impacto terá isso no amanhã? Qual é o exemplo, a mensagem que queremos passar aos nossos descendentes? Será que vêm em nós uma referência, ou um mau exemplo? Fazê-los reflectir e educar mentes que questionam os porquês é um passo importante, sem dúvida. Resta agir, e educar. De olhos postos no futuro.

    Continua com as boas publicações Alexandre.

  2. Joana Perestrello
    Março 17, 2017
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    Muito boa a tua reflexão e muito lúcida, Alexandre! Pelo cenário actual, diria que a humanidade está no fim, ou pelo menos, à beira de uma catástrofe iminente. É preciso renovar. Reparem que, ao longo da história e sempre que a humanidade atinge níveis astronómicos de desumanidade e de podridão, há uma catástrofe natural. Veja-se, p.ex., o caso de Pompeia. Essa catástrofe tem, como objectivo principal, varrer da Terra o mal que nela impera. Obviamente, os justos não têm culpa, mas pagam sempre. Ninguém ou quase ninguém escapa. O Homem vive uma época de inversão de valores, mas nem essa inversão poderá ter no nome e no leque a palavra “valores”. Diria antes, uma ausências dos mesmos. Uma anarquia completa e uma confusão tal, que é reflectida nos jovens, pois esses mesmos estão desnorteados. Não sabem distinguir o bem do mal, não por culpa deles directamente, mas por culpa de um sistema que tem vindo, ao longo dos anos, a formatar essas novas mentes e infiltram-se por todos os lados e de qualquer maneira. Talvez ainda haja alguma solução, mas era preciso que as mentes dormentes acordassem e isso estou em crer que é muito difícil, mas não impossível. Conseguiram tranformar pessoas em robôs. Ou melhor, quase todas. Ainda há uma tribo, ” os primitivos”, como diz e muito bem, Aldous Huxley. Vamos confiar nesses “primitivos” e nos quais eu me incluo. Eu ainda tenho esperanças, senão já tinha ido “embora”. Parabéns!

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